
Para membro do CNE, conceito original do credenciamento especial foi desvirtuado ao longo dos anos.
O Conselho Nacional de Educação (CNE) decidiu acabar com o credenciamento especial
de instituições não educacionais para a oferta de cursos de especialização porque houve um
"desvirtuamento" da ideia original. A justificativa é do conselheiro Milton Linhares, um dos membros da Câmara de Educação
Superior que redigiu o parecer homologado pelo MEC.
Segundo ele, o credenciamento foi criado em 2001 para reconhecer o trabalho de
"instituições que já tinham grande tradição". "Com o passar do tempo, começou a aparecer
uma enxurrada de instituições também querendo ser credenciadas, como clínicas de
odontologia, academias de ginástica e escritórios de contabilidade", diz Linhares.
"Chegamos à conclusão de que era preciso dar uma basta, porque o que se buscava era
apenas o carimbo do MEC nos certificados."
O conselheiro considera que o ministério "já tem trabalho suficiente" na fiscalização das
cerca de 2,5 mil instituições de ensino superior.
Stricto sensu. Para Linhares, o MEC não está fugindo da responsabilidade de regular a
pós-graduação no País. Com o parecer, o objetivo foi centrar a preocupação na modalidade
stricto sensu (mestrado e doutorado).
"E não na lato sensu, que é uma formação continuada. Até para deixar que o mercado
reconheça as boas instituições não educacionais que oferecem cursos de especialização",
afirma o conselheiro.
Procurado pela reportagem, o MEC não se pronunciou porque, segundo a assessoria de
imprensa, não havia sido oficialmente notificado das decis es liminares.
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